segunda-feira, 16 de abril de 2012
futuro do pretérito
e se tivéssemos ouvido os sábios? e se tivéssmos nos mudado para aquela casa tranquila naquele bairro bonito com aquele preço acessível? e se tivéssemos passado nossos verões no mar? e se tivesse havido chá e flores na primavera? mais amor? mais sândalo, mais poesia. há solidão agruras negrores café frio ventania. há livros na estante nossos filhos dentro de cada um de nós. luz no fim do túnel? e se teu ombro, outrora, meu lugar, não estivesse agora palidamente despido desimpedido desamargurado tão distante tão seco tão outro?
terça-feira, 27 de março de 2012
De outro azul
Estávamos nós dois, eu e ele. O sol era brando: já se punha. Entrelaçávamos as mãos desconhecidas uma a outra, mornas de descoberta daquele instante, daquela vida. Talvez pensássemos no que dizer, talvez só admirássemos absortos a vastidão azul do mar. Aquele axé veio longe, veio bem de dentro das entranhas de um tempo, do meu tempo. O axé era seu, era nosso; falava de verão e calor no coração. Como pode a falta ser tão cruel? O sol se pôs, enfim.
terça-feira, 20 de março de 2012
antropofagia
me olha e já me come
tira lasca
lambe os beiços
te olho e já floresço
pingo orvalho
chupo os beiços
.
tira lasca
lambe os beiços
te olho e já floresço
pingo orvalho
chupo os beiços
.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
anjos e demônios
meus anjos e meus demônios
confabulam dentro de mim
ora declaram guerra
ora brindam com champanha
eu, fiel, apenas sigo
as ideias que me foram sopradas
vezes trato-as por princípios
vezes outras, são instintos
.
confabulam dentro de mim
ora declaram guerra
ora brindam com champanha
eu, fiel, apenas sigo
as ideias que me foram sopradas
vezes trato-as por princípios
vezes outras, são instintos
.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
andei pensando
por que não vens?
anda, te espero
a cama tá feita
há perfume nas flores
café quente na xícara
e poesia na estante
por que não vens?
não sabes que a vida é curta?
que somos demais um do outro
para abandonarmo-nos?
que um amor assim
só em outra vida, meu deus?
anda, homem
o café já esfria
.
por que não vens?
anda, te espero
a cama tá feita
há perfume nas flores
café quente na xícara
e poesia na estante
por que não vens?
não sabes que a vida é curta?
que somos demais um do outro
para abandonarmo-nos?
que um amor assim
só em outra vida, meu deus?
anda, homem
o café já esfria
.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
in natura
gosto do natural
do verdadeiramente intenso
cabelos cacheados
rebeldes
corpo nu de suor
saliva minha em ti
quente
.
do verdadeiramente intenso
cabelos cacheados
rebeldes
corpo nu de suor
saliva minha em ti
quente
.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Eternidade
Então, resolvi não lutar contra essa dor. Assim: não luto, não tento matar, não entro em guerra com meu coração; simplesmente, tento acomodá-la em alguma quina vazia. E fico esperando o dia dia em que ela vai virar uma saudade, uma lembrança, um carnaval. Trato de não verbalizar quão vivo você é em mim; me basta o saber intrínseco. Por deus, quanto mais dura?
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